Não importa, você escolhe o ponto de partida e sabe exatamente onde vai chegar.
E ainda assim, a bolha que vai aparecer no seu pé, você só terá caminhando.
O luto é assim.
Se a gente vai fazer uma viagem para um lugar desconhecido, ajuda muito saber o que é esse lugar antes de chegar.
Porque aí, quando a bolha aparecer, quando a correnteza bater e quando o peso nos ombros ficar insuportável, você saberá que isso faz parte do processo.
E você sabe, mais ou menos, por onde está a saída.
Se a gente sofre é porque a gente foi feliz com essa pessoa.
E quem aprendeu isso consegue atravessar a dor de um jeito diferente.
Não sem dor, mas com boas companhias na travessia.
Foi com tudo isso que eu construí algo que quero te apresentar agora.
Eu passei 30 anos sentada do lado de pessoas em luto.
Ouvi histórias de dor que o mundo não queria ouvir.
Vi gente que achava que nunca mais ia conseguir respirar aprender, aos poucos, a voltar a viver.
E foi por isso que eu criei o programa Como Lidar com o Luto.
Um projeto que te ensina a atravessar o luto sem te pedir para superar, para esquecer ou para ter um prazo, com a condução de uma médica que perdeu pai, mãe, irmã e amigos, e que aprendeu, da forma mais difícil que existe, que voltar a viver não é trair quem você perdeu.
Você terá um caminho para atravessar os dias em que olha para uma foto e não sabe o que fazer com o que sente.
Um caminho para as madrugadas difíceis, para as datas que se aproximam no calendário, para os momentos em que a culpa aparece quando você ri.
Um caminho que respeita o seu tempo e o tamanho do seu amor.
E em algum momento, num dia que você não conseguirá prever, voltará a sentir que na sua vida existe cor novamente.
Não importa se você já tentou terapia e não conseguiu continuar.
Não importa se a perda foi há duas semanas ou há dez anos.
Não importa se você acha que não tem energia para fazer nada agora.
O luto não tem prazo, e o caminho que você irá escolher dentro do programa também não.
Ele foi feito para quem já tentou atravessar essa dor mas não consegue parar de sofrer.
Para quem tem medo de nunca mais conseguir ser feliz.
Que sente tristeza, solidão e desânimo, e não sabe como lidar com isso sem mais ninguém perguntar como está.
Para quem está acompanhando alguém que está no fim da vida e já sente a falta antes da hora, sem saber o que fazer com esse luto que começou cedo demais.
E para quem não está sofrendo agora, mas decidiu aprender como o avião funciona antes de entrar na tempestade.
Em resumo, o curso Como Lidar com o Luto é para todos aqueles que desejam aprender a atravessar essa dor de um jeito que respeita o amor que sentiram, sem prazo, sem julgamento e sem precisar fingir que está tudo bem antes da hora.
A prova disso são pessoas como a Cristina Jucá, que havia perdido seu filho em consequência da Covid:
E tem a definição do luto que a psiquiatria inventou, que coloca lá duas semanas como prazo.
Mas eu costumo dizer que quem escreveu isso não entende o que é amor.
Falar que só dói duas semanas serve para prescrever remédio a partir de duas semanas, mas não serve para compreender a importância do amor que existia entre você e a pessoa que você perdeu.
Aí quando você chega nessas duas semanas, nesse mês, nesse ano, e a dor ainda está lá, você começa a achar que está errada.
Que está fraca, que está doente…
E aí a dor vai ficando.
Porque quando ninguém reconhece o tamanho do que você está sentindo, ela não tem para onde ir, então fica.
Ela precisa gritar mais alto para mostrar que existe.
O que pode estar te impedindo de conviver o luto com serenidade é que você nunca teve um espaço onde a sua dor fosse reconhecida pelo tamanho exato que ela tem.
Onde alguém olhasse para você e dissesse: dói muito, e isso é legítimo, é direito seu sentir essa dor.
Onde ninguém te pedisse para reagir, superar, ser forte ou “pensar positivo”.
Você precisa entender onde está a alegria que você sentia quando estava com aquela pessoa.
E ela não está onde você acha que está.
Não está na pessoa que se foi.
Não está nos objetos dela, não está na cadeira vazia, não está no lado da cama que ficou frio…
O coração que acelerava quando você a via, o olhinho que brilhava, a respiração que mudava, a sensação de segurança que tomava conta do corpo…
Tudo isso não acontecia lá fora.
Acontecia dentro de você.
É o seu coração que acelerava. É dentro de você que aquilo morava (e ainda mora).